A atriz e empresária Suzana Alves abriu o jogo sobre os bastidores da criação de um dos maiores fenômenos da televisão brasileira dos anos 1990: a personagem Tiazinha. Em uma entrevista reveladora concedida ao programa The Noite com Danilo Gentili, exibido pelo SBT, ela afirmou que o principal motivo para ter aceitado gravar o piloto da personagem foi uma pendência financeira ligada aos seus estudos superiores na época.
De acordo com o relato de Suzana, o primeiro contato com o projeto ocorreu quando o apresentador Luciano Huck a convidou para fazer parte de um quadro no antigo programa H, que era transmitido pela Rede Bandeirantes entre os anos de 1996 e 2002. A reação inicial da artista, no entanto, foi de total recusa por não se sentir à vontade com os trajes exigidos para o papel. Ela afirmou que ficou um pouco horrorizada com a questão de ter que aparecer publicamente usando apenas lingerie e, por isso, agradeceu e negou a oportunidade.
Apesar da negativa, a produção insistiu e ligou novamente na semana seguinte dizendo que ela havia ficado na mente deles. Suzana explicou que acabou cedendo à insistência apenas porque precisava de dinheiro para quitar o que devia à instituição de ensino. Ela propôs realizar o piloto sob a condição de que recebesse o valor exato da dívida da faculdade e que pudesse usar uma máscara, um artifício que encontrou para tentar diminuir a grande exposição física e o forte incômodo que sentia desde o início do processo.
A personagem acabou se transformando em um gigantesco símbolo sexual nacional, mas Suzana Alves destacou que a exposição do corpo nunca foi vivenciada com naturalidade por ela. Mais de duas décadas após ter deixado a personagem de forma definitiva, o que aconteceu no ano de 2002, ela explicou que ainda precisa lidar com os reflexos e efeitos daquela fase de superexposição na mídia.
Durante o desabafo com Danilo Gentili, Suzana mencionou sentimentos de incômodo e admitiu ter arrependimento quando relembra o nível de exposição íntima que enfrentou no passado, lamentando especificamente o nu público, embora pontue que não é um sofrimento constante. Ela também relembrou as frequentes comparações que o público e a mídia faziam entre ela e a Feiticeira, outra personagem de forte apelo sensual interpretada por Joana Prado na mesma época. Formada em Jornalismo, com estudos em balé clássico no Theatro Municipal de São Paulo e formação em Psicologia, Suzana concilia hoje sua carreira artística com o trabalho de empresária.





